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Zoonoses e a importância do médico veterinário


 Zoonoses, por definição, são doenças causadas por bactérias, vírus, fungos ou protozoários que podem ser transmitidas de animais para humanos através do contato direto com o animal, da alimentação ou do contato com o meio ambiente (OMS, 2019). Porém, em alguns casos, podem ocorrer transmissão de humanos para animais. Atualmente, mais de 60% das enfermidades que afetam humanos são de origem animal (OMS, 2019). Importante ressaltar que os animais não são vilões e são vítimas dessas enfermidades tanto quanto os humanos.

 A transmissão por contato direto com um animal infectado pode ocorrer quando, o proprietário ou algum tratador, faz carinho no animal ou pegue ele no colo no momento que o pet esteja com alguma doença. Usarei de exemplo um gato com esporotricose, doença causada por um fungo denominado Sporothrix spp, que acomete a pele dos animais e humanos. A transmissão da esporotricose, pensando em um gato enfermo por esse fungo, para humanos pode ocorrer através da arranhadura, mordedura, contato direto com a lesão ulcerada e exsudativas, ou até mesmo pela inalação de gotículas de secreção respiratória (aquele líquido que por vezes sai do narizinho do animal) (FARIAS et al., 2016). Por fim, o proprietário de um gato que tem muito contato com o ambiente externo da casa ou uma pessoa que teve um "acidente" com gatos de rua, podem se infectar por algum desses meios. Essa enfermidade é complicada de ser tratada em casos de humanos e de animais.

 As pessoas podem ingerir alimentos de origem desconhecida, com processamento irregular ou com manipulação inadequada que tenham contaminação e o crescimento de bacteriano, o qual podem ser danosas aos seres humanos. Nesses casos, quem ingerir esses alimentos pode ter uma infecção, toxinfecção ou intoxicação por bactérias. Como exemplo, temos casos de alimentos contaminados com Eschericha coli originárias de intestino de animais e causam desde uma diarreia à uma necrose do intestino de quem a ingere. No entanto, existem meios de controle para que humanos não fiquem doentes por essas bactérias.

 Por último, não menos importante, o meio ambiente em que todos vivemos. Por exemplo, se formos realizar uma trilha em algum ambiente exótico ou caminharmos em uma reserva poderemos ter contato com carrapatos. Os carrapatos têm ciclos específicos entre suas espécies, mas o comum entre eles é as fêmeas alimentarem de sangue de animais vertebrados para realizar a ovo postura. Ao ingerirem sangue de animais, por exemplo de capivaras infectadas com a bactéria da febre maculosa, e depois fazerem a ingestão de sangue de pessoa ou cão, poderão repassar essa bactéria que causa graves danos a quem estiver infectado. Por isso, quem for realizar essa prática tem que ter o conhecimento do ambiente e de vestimentas adequadas, assim como o uso correto de repelentes.

 Os exemplos descritos anteriormente de como as doenças podem ser transmitidas de animais para os seres humanos, são para demonstrar a importância de cuidar bem do seu animal, da alimentação correta e o ambiente em que se vive. É um consenso, atualmente, que temos que olhar as zoonoses como uma única saúde, ou seja, cuidar tanto dos animais, dos humanos e do ambiente que vivemos; o convívio dos seres vivos e do ambiente propicia a interação entre eles e que podem favorecer a transmissão de doenças (OMS, 2019).

 Justamente, nesse ponto que deve ser ressaltado a importância do Médico Veterinário. Esse profissional está apto a realizar os diagnósticos dessas enfermidades nos animais e de realizar planos e projetos de controle e erradicação de doenças zoonóticas atuando diretamente no benefício da saúde pública. Por isso, quando um proprietário tenha o conhecimento que seu animal não está bem, que encaminhe prontamente, o cão ou o gato, para o seu veterinário de confiança, pois esse irá realizar o diagnóstico e prescrever o tratamento e controle necessário ao seu animal e ao ambiente em que vivem, proprietário e animal.

 Em todas as vias de transmissão que o ser humano possa ter contato com alguma doença zoonótica, tem um veterinário cuidando para que isso não prejudique a saúde da população e dos animais. Além disso, órgãos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) propõem diretrizes aos países membros (o Brasil faz parte) para que possam minimizar a transmissão e controlar as enfermidades em seus territórios. Além deles, o Ministério da Saúde e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, também estão empenhados em controlar e erradicar as doenças zoonoticas no território nacional.


Referências

FARIAS, M. R.; PEREIRA, A. V.; GIUFFRIDA, R. Esporotricose. In: MEGID, J.; RIBEIRO, M. G.; PAES, A. C. (Ed.) Doenças Infecciosas em animais de produção e companhia. 1. Ed. Rio de Janeiro: ROCA, 2016. cap. 86, p. 918 – 928.

OMS – Organização Mundial de Saúde. International partnership to address human-animal-environment health risks gets a boost. Disponível em: https://www.who.int/zoonoses/Tripartite-partnership/en/.

Drª Thamiris Minari

Mestre em Medicina Veterinária Preventiva - FCAV/UNESP

Doutoranda em Medicina Veterinária Preventiva pela mesma unidade

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